Parabéns, Nelson Mandela
Nelson Mandela
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Exatamente há 94 anos nascia Nelson Rolihlahla Mandela, uma das personagens mais marcantes do século XX. O seu nascimento deu-se em Mvezo, uma pequena aldeia de África do Sul.

Nelson Mandela foi o primeiro presidente sul africano a ser eleito de forma completamente representativa, ou seja, com os votos de todos os habitantes, e governou África do Sul de 1994 a 1999; no entanto, a sua história começa muito cedo. De facto, dir-se-ia que desde o dia em que nasceu Mandela estava destinado a grandes feitos.

Mandela era filho da terceira esposa do seu pai, Gadla Mphakanyiswa, chefe tribal de Mvezo, que por sua vez era neto de Ngubengcuka, rei do povo de Thembu, uma das várias tribos sul africanas. O seu avô, um dos filhos do rei, chamava-se Mandela e é daí que advém o seu nome.

É na quinta da família da sua mãe que Mandela recebe o nome de Rolihlahla, que pode ser livremente traduzido como “traquina”. Quando Mandela vai para a escola (o primeiro da sua família a fazê-lo) a sua professora dá-lhe o nome inglês Nelson.

Mandela terminou o ensino secundário em 2 anos, em vez dos habituais 3. Sendo o herdeiro da posição do seu pai (que havia morrido de tuberculose quando Mandela tinha 9 anos) como conselheiro na corte de Thembu, em 1937 mudou-se para Fort Beaufort, de forma a estudar no colégio metodista de Healdtown, que a maioria da corte de Thembu frequentava.

Já na Universidade de Fort Hare, onde estudaria artes, conheceu Olivier Tambo. Tambo e Mandela tornaram-se amigos para toda a vida. Foi também em Forte Hare que conheceu Kaiser Matanzima. No fim do seu primeiro ano em Fort Hare, Mandela envolveu-se num boicote levado a cabo pelo Conselho Representativo dos Estudantes, que lutava contra as políticas da universidade e acabou por ser expulso.

Pouco depois da sua expulsão, Jongintaba, o então rei de Thembu, comunicou-lhe que lhe havia sido arranjado um casamento. Descontente com esta situação, Mandela fugiu para Joanesburgo, onde arranjou emprego como guarda de uma mina. No entanto, assim que se soube quem Mandela era, este foi despedido. Começou a trabalhar então na firma de advogados Witkin, ao mesmo tempo que terminava o seu bacharelato em Artes, na Universidade de África do Sul, via correspondência. Depois disso, começou a estudar direito na Universidade de Witwatersrand, onde fez amizade com outros estudantes e futuros ativistas políticos anti apartheid.

Depois da vitória de 1948 do Partido Nacional, pró-apartheid e segregação racial, Mandela começou a participar ativamente na política. Foi líder proeminente nos protestos de 1952 e no Congresso do Povo de 1955, onde foi adotada a Carta da Liberdade, a base fundamental para a causa anti-apartheid.

Mandela e 150 outros membros foram presos a 5 de Dezembro de 1956 e acusados de traição, da qual seriam ilibados em 1961. Nesse mesmo ano, Mandela assume a liderança do braço armado do Congresso Nacional Africano (CNA), Umkhonto we Sizwe (Lança da Nação), que ajudou a fundar. Coordenou planos de sabotagem contra alvos militares e governamentais e fez planos para uma possível guerra de guerrilha se as sabotagens não sucedessem a derrubar o apartheid.

Mandela encarou a mudança para a resistência armada como um último recurso; anos de repressão e violência cada vez maior por parte do estado convenceram-nos que os anos de resistência pacífica não tinham alcançado, nem alcançariam, qualquer resultado.

Em Junho de 1961, o Umkhonto we Sizwe enviou uma carta à imprensa sul africana exigindo do governo uma nova constituição que acabasse com a segregação racial, ameaçando com ataques bombistas se as suas exigências não fossem cumpridas. O governo não cedeu e durante o ano seguinte deram-se dezenas de atentados a alvos governamentais.

Em 1962 Nelson Mandela foi capturado e preso no Forte de Joanesburgo. Foi julgado no que ficou conhecido como Julgamento de Rivonia, onde foi acusado, juntamente com outros ativistas, de 193 crimes. Foi condenado e passou os restantes 27 anos na cadeia.

A 2 de Fevereiro de 1990 o presidente sul africano F. W. de Klerk anunciou o fim da ilegalidade do CNA e a libertação de Nelson Mandela, que se efetivou em 9 dias depois, a 11 de Fevereiro. A sua libertação foi transmitida em direto para todo o mundo.

No dia da sua libertação Nelson Mandela fez um discurso à nação, reiterando a sua dedicação à paz e reconciliação com a minoria branca sul africana, não deixando no entanto de realçar que o a resposta armada por parte do Umkhonto we Sizwe, se deveu unicamente a uma resposta à violência e opressão operada pela regime apartheid.

Depois da sua libertação, Nelson Mandela assumiu a liderança do CNA e a 27 de Abril de 1994 realizaram-se na África do Sul as primeiras eleições completamente livres, onde votaram todos os habitantes de África do Sul, independentemente da cor da sua pele. Nelson Mandela foi eleito presidente com 62% dos votos, tornando-se não só o primeiro presidente negro de África do Sul como também o mais velho. Foi eleito aos 75 anos e decidiu não se recandidatar para um segundo mandato, tendo-se reformado em 1999.

Nelson Mandela é, hoje em dia, reconhecido como uma das grandes personagens do século XX, um líder na luta contra o racismo e a discriminação racial. Recebeu mesmo o Prémio Nobel da Paz em 1993 e o dia do seu aniversário foi adotado pelas Nações Unidas como um dia de celebração, onde é pedido a organizações e indivíduos por todo o mundo que dediquem 67 minutos do seu tempo a fazer algo pelos outros, honrando o número de anos que Mandela dedicou à luta contra a discriminação social.

 

 

Texto – Helder Pinho

 

**Este texto foi escrito de acordo com as novas regras ortográficas**

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